É provável que a maior parte dos portugueses nunca tenha ouvido falar de Alberto Fargo, pelo que a origem desta história é digna de ser contada aqui. Como parte deste espaço, e de alguns livros que fomos publicando ao longo do tempo, fomos sendo contactados ao longo dos anos para verificar algumas histórias relacionadas com Portugal. Os casos de Teresa Fidalgo e Vimara Peres são provavelmente os mais significativos, mas há alguns dias contactaram-nos em relação ao sujeito que dá título a este artigo.

Segundo nos foi dito, Alberto Fargo era, supostamente, um professor de tango que, em 1998, durante uma das suas lições de dança, estava a mostrar aos seus alunos um dado movimento, caiu pela janela de um quinto andar lisboeta e faleceu.
Uma história simples, parece, mas a razão porque nos contactaram passa pelo facto de, ao investigarem esta história, terem sido incapazes de encontrar qualquer fonte primária que atestasse a sua veracidade. Ou seja, esses jornalistas pura e simplesmente não conseguiam encontrar qualquer prova real da existência deste Alberto Fargo, ou de que a situação em questão, relatada em diversos livros anglófonos, tivesse de facto acontecido no nosso país. E há uma excelente razão para isso!
Como aconteceu no caso de Danny, o fantasma do Natal da África do Sul, esta história não é verdade.
Primeiro, “Fargo” não é um apelido português, mas algumas fontes consultadas dizem que ele era nativo do nosso país.
Segundo, não conseguimos encontrar qualquer referência a esta ocorrência num jornal nacional (a imagem acima é uma mera brincadeira, criada por IA). A mais antiga referência online que conseguimos encontrar, numa listagem de mortes insólitas, atribui a história a um suposto jornal Sunday Independant de Dublin, datado de 15 de Novembro de 1998, mas não só o título do jornal está parcialmente incorrecto nessa fonte, como a edição em questão não parece conter essa notícia.
E, em terceiro e último lugar, por evidentes razões de segurança os prédios em Portugal são construídos de forma a tornar um evento como este (quase) impossível, não existindo a possibilidade de abrir por completo uma janela de forma a que alguém simplesmente caísse da mesma por uma desatenção como a relatada na história.
De onde vem, então esta história de Alberto Fargo? Talvez tenha sido apenas inventada por aquela fonte online – ela ainda pode ser vista aqui – ou criada por alguém para tentar detectar quem plagia conteúdos. E, infelizmente, é um problema muito comum nos dias de hoje – as pessoas copiam informação de um e outro lado sem nunca a verificar, sem se interrogarem pelas verdadeiras fontes de alguma informação menos comum, e depois são enganadas.
No fundo, a história de Alberto Fargo é menos sobre um professor de tango e mais sobre a forma como as lendas modernas dançam entre nós: um passo dado por alguém num fórum obscuro, outro repetido num livro mal verificado, e de repente lá está – um mito urbano pronto a circular sem fim, como se fosse verdade. O verdadeiro perigo, claro, não está em acreditar num bailarino inexistente, mas em esquecermo-nos de dançar com o cepticismo. Porque, no mundo das histórias digitais, basta um clique para um rumor ganhar corpo… e cair pela janela da realidade.


!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O Cavaleiro Que Fazia Falar As Vaginas E Os Rabos](https://www.mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/07/o-cavaleiro-que-fazia-falar-as-vaginas-e-os-rabos-300x199.jpg)

